Friday, November 18, 2005

Em busca de mitos e heróis


Não sei que rumo cultural se pretende dar à RTP2, o canal de serviço público, por excelência. Há muito que defendo um forte investimento em documentários, que serviriam para elucidar os nacionais, mas, sobretudo, dariam a conhecer o país nos canais internacionais. Não é indiferente ser-se uma nação velha de história e cheia de pioneiros e quase não aparecer no History, no Biography, no Odissey, no Discovery e no National Geographic. Em post anterior, recomendei que se fizesse um documentário sobre um dominicano especial, provavelmente o Fausto original, Frei Gil de Santarém. Hoje ocupo-me de jesuítas e templários. Não tenho nenhuma obsessão pelas ordens religiosas, só que Portugal foi fundado e desenvolvido por elas, em grande parte.
Tome-se como modelo a série de quatro títulos do historiador Michael Wood, recentemente produzida pela BBC ( In Search of Myths and Heroes ). No episódio acerca do Tibete, lá está o descobridor ocidental, o padre jesuíta António de Andrade, a quem o apresentador inglês não pode escapar, por muito que ignore os outros jesuítas descobridores da Ásia, em favor dos britânicos. O modelo de documentário de Wood pode e deve ser usado pela produção portuguesa, que nem precisa de ignorar os nomes estrangeiros, pois são muito posteriores aos nossos.
Outro caso gritante, que nos diz directamente respeito, é a paranóia templária que percorre actualmente o mundo ocidental. São histórias e pseudohistórias, mistérios e fantasias, todos a tentarem descortinar a continuidade da Ordem de Cavalaria mais famosa. E, afinal, nós que demos, de facto, continuidade aos templários, na Ordem de Cristo, somos incapazes de o dizer ao mundo. Portugal foi fundado na reconquista executada pelos templários. À época da extinção da Ordem, uma parte considerável do território pertencia-lhe. Aqui se refugiaram, vindos de todos os cantos da Europa. Passados poucos anos, D.Dinis criou a Ordem de Cristo, com as terras, os bens e os cavaleiros templários que quiseram. Foi esta a Ordem mestra da expansão marítima. O mundo não sabe, ou faz que ignora. É nossa a responsabilidade de o esclarecermos .
E só aqui já estão três histórias de heróis e mitos nacionais, mas quantas mais merecem estar no Guiness e na programação televisiva global.