Friday, November 04, 2005

Alexandre, por Oliver Stone



Já escrevi e disse nos media o que tinha a dizer sobre este filme. Embora faça questão de conhecer e, se possível, de adquirir tudo o que tenha a ver com Alexandre, há coisas que só consigo engolir com paciência de santa e sais de frutos. E este filme é uma delas. Restava-me, pois, ver o “director’s cut”, que, ao contrário do que é usual, tem menos 3 minutos do que a versão dos cinemas. Esses cortes mostram uma cedência em relação às críticas quanto ao pendor homossexual do filme. Não se perde nada, porque essas cenas também não eram boas, mas manteve-se a maioria da cena heterossexual, que é igualmente uma tristeza. De resto, Oliver Stone limitou-se a alterar a ordem dos “flashbacks”. E, claro, a comentar, a sua obra. É uma infelicidade que até o tom de sussurro e a enorme rapidez com que fala tivessem ajudado à irritação geral desta espectadora.
Concluindo: Stone percebeu Alexandre politicamente, mas não humanamente. O lado humano da personagem é apenas um reflexo das vivências do realizador, ou seja, a contradição evidente entre alguém que ele considera ao mesmo tempo “inseguro” e “único no quebrar de limites”, só para dar um exemplo. Alexandre não é Jim Morrisson, por muito que este lhe tentasse imitar o corte de cabelo e a faceta dionisíaca. Porém, Stone fez uma quase perfeita justaposição entre os dois filmes, como se Os Doors fosse o molde para Alexandre . Pena tenho eu que George Lucas não se dedique a fazer o tal filme sobre Alexandre que ficasse para a posteridade, porque, quanto a Oliver Stone, apenas posso fazer votos de que este seu Alexandre o tenha ajudado a reconciliar-se com os pais.