Monday, May 01, 2006

Beltane/May Day

As celebrações da noite de hoje (Beltane significa bright fire) marcam o oposto das de Shamain, quando iniciei este site/blog. Assim, são dois momentos esotéricos bastante idênticos, duas noites onde os contactos com o Além estão privilegiados (a outra é a Halloween, esta a famosa Walpurgisnacht do Fausto de Goethe), bem como dois dias de carinho pelos defuntos (o dia de Todos-os-Santos, no Outono, e o dia de S. José da Boa-Morte, na Primavera).
Beltane era celebrado entre os celtas com saltos de fogueiras e danças e cantares, com o intuito de obter boas colheitas e purificar o gado. Da deusa Maia, que protege a expansão da terra, ficou o nome do mês, ligado ao culto também de Flora (as árvores, as grinaldas de flores, a eleição da Rainha de Maio). É o triunfo da Primavera (a vida, a beleza, a juventude).
Porém, a verdadeira celebração é a da união entre o Amor e a Morte, sempre presente na simbologia do mês: ouçam-se as Cantigas de Maio de Zeca Afonso ou leia-se May Day de William Faulkner, por exemplo. De tal forma assim era, que os romanos consideravam Maio aziago para sexo, embora nele honrassem especialmente a Mãe-Loba fundadora da cidade (a que devora uns e amamenta outros). Tudo aponta para um tempo de nutrição e aprofundamento material (daí ser hoje o Dia do Trabalho).
Na actualidade, May Day é também código para “perigo de morte iminente”. Foi neste dia que, há doze anos, morreu o meu saudoso Ayrton. Ironicamente foi vítima de distanásia (para que o show pudesse continuar), conquanto tenha falecido no dia da eutanásia. O único consolo é que não será preciso pedir uma celebração especial para Senna, visto que o Primeiro de Maio é um dos mais importantes feriados mundiais. Nele constato que o “fogo no céu” da sua estrela continua a iluminar-me.