Hoje, ao fim da tarde, na SIC, revi o muito agradável What women want , com Mel Gibson e Helen Hunt. Trata-se de uma actualização do tema tratado no conto da “mulher de Bath” de Chaucer, cuja leitura recomendei em texto anterior ( Cf. Ser mulher alexandrina). Nesse conto, o cavaleiro violador é condenado a descobrir o que querem as mulheres, sob pena de morte. Encontra então uma velha, feia e pobre que lhe dá a resposta, em troca de casamento. A resposta é: “querem ter os mesmos direitos dos homens”. Obrigado ao casamento, com grande infelicidade, o cavaleiro ouve a mulher a justificar que ser velha é ser sábia, ser pobre é ser humilde e ser feia é ser fiel. Ele entende então que a aparência que procurava nas mulheres não lhe dará a felicidade e submete-se à autoridade (à inteligência) dela. Nesse momento, ela torna-se jovem e bonita (aos seus olhos) e vivem felizes para sempre. Notável exemplar de feminismo medieval produziu Chaucer.
No filme, temos o galã Nick, eterno playboy, mimado pelas mulheres, que descarta a belo prazer. Esperto e bem sucedido, entra na guerra dos sexos quando tem de enfrentar uma chefe no trabalho. Por magia inexplicável consegue ouvir os pensamentos das mulheres, passando do pânico de ter de escutar um universo que não entende ao aproveitamento descarado de tal dom. Darcy será a grande vítima, quando as suas ideias, inteligência e emoções são sugadas e usadas em proveito próprio por Nick, conseguindo até que ela seja despedida (o que no calão masculino dá pelo nome de eat the bitch). Só que Nick (tal como o cavaleiro) está mudado pelo conhecimento do feminino e pelo amor que não consegue deixar de sentir por Darcy. No final, após confessar os pecados, Darcy castiga-o, despedindo-o, mas fica com ele porque o ama e porque ele é então um homem melhor do que quando o conheceu. A moral da história é idêntica à do conto medieval: as mulheres podem ser tanto ou mais do que os homens, têm de ser livres e não devem ser vistas como pedaços de carne para o prazer ou a reprodução.
Aqui deixo este pensamento, no dia da Mãe, porque a maternidade e a paternidade são necessárias (mas não obrigatórias) e, não obstante implicarem altruísmo e dedicação, não deixam de ser o acto mais egoísta da vida: a preservação do próprio ADN. A realização feminina é tão individual quanto a masculina, porém muitíssimo mais difícil. A mulher precisa de ser muito superior ao homem para aspirar a ter direitos idênticos, embora (tal como com a velha e com Darcy) a salvação do homem esteja muito mais dependente dela do que à primeira vista se possa imaginar.
No filme, temos o galã Nick, eterno playboy, mimado pelas mulheres, que descarta a belo prazer. Esperto e bem sucedido, entra na guerra dos sexos quando tem de enfrentar uma chefe no trabalho. Por magia inexplicável consegue ouvir os pensamentos das mulheres, passando do pânico de ter de escutar um universo que não entende ao aproveitamento descarado de tal dom. Darcy será a grande vítima, quando as suas ideias, inteligência e emoções são sugadas e usadas em proveito próprio por Nick, conseguindo até que ela seja despedida (o que no calão masculino dá pelo nome de eat the bitch). Só que Nick (tal como o cavaleiro) está mudado pelo conhecimento do feminino e pelo amor que não consegue deixar de sentir por Darcy. No final, após confessar os pecados, Darcy castiga-o, despedindo-o, mas fica com ele porque o ama e porque ele é então um homem melhor do que quando o conheceu. A moral da história é idêntica à do conto medieval: as mulheres podem ser tanto ou mais do que os homens, têm de ser livres e não devem ser vistas como pedaços de carne para o prazer ou a reprodução.
Aqui deixo este pensamento, no dia da Mãe, porque a maternidade e a paternidade são necessárias (mas não obrigatórias) e, não obstante implicarem altruísmo e dedicação, não deixam de ser o acto mais egoísta da vida: a preservação do próprio ADN. A realização feminina é tão individual quanto a masculina, porém muitíssimo mais difícil. A mulher precisa de ser muito superior ao homem para aspirar a ter direitos idênticos, embora (tal como com a velha e com Darcy) a salvação do homem esteja muito mais dependente dela do que à primeira vista se possa imaginar.
Afinal, o que querem as mulheres? Glosando o anúncio da Nike destinado ao público feminino (que no filme resume a grande diferença entre homens e mulheres): No games. Just sports.