Friday, September 19, 2008

Nós, os nossos avós e os touros

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Este belíssimo painel cretense tem cerca de 4 mil anos. No final da Era de Touro, o animal ainda era adorado pelos minóicos com manifestações do tipo aqui representado, onde se efectuavam múltiplas acrobacias sobre os touros.
Actualmente, chamam-se Recortadores os artistas que os imitam. São jovens espanhóis, como seria de esperar, alguns portugueses, habituados às pegas, e franceses, provavelmente na tradição da course landaise. É um espectáculo tauromáquico impressionante. Se isto não é preservar o nosso passado cultural colectivo, não sei o que será.



Depois, veio a Era do Carneiro, o tempo dos micénios, dos argonautas, da guerra de Tróia. O touro lunar passou a ser o inimigo (Minotauro) e herói solar era quem o matava (Teseu). A tourada é o que resta desses rituais de masculinidade nos nossos dias.
Em Portugal, temos provavelmente o maior cavaleiro tauromáquico de que há memória. Do signo de Aries e toureando como um filho de Marte, João Moura foi responsável pelas minhas frequentes idas às corridas em que ele participava, na altura em que era estudante universitária. Assisti a momentos inesquecíveis de bravura, de perícia e de loucura.





Este ano, comemorou 30 anos de alternativa e publicou uma foto biografia. Ter conseguido uma carreira tão bem sucedida, durante tanto tempo, numa actividade tão arriscada merece aplauso. Há muito que deixei de ver touradas, mas sou a favor da sua existência, pela herança cultural que representam. Por isso, terei muito prazer em juntar à minha biblioteca as fotos das lides do grande Moura. Olé !
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