Thursday, August 07, 2008

Metafísica para o povo

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Tudo começou com a elaboração de um documentário. Face ao êxito obtido, procedeu-se à passagem para livro, um recordista dos tops de vendas. Destacou-se entre as numerosas obras existentes acerca da lei da atracção, da força do pensamento, das vibrações positivas, da crença, da força da vontade, etc., provavelmente pela sua simplificação extrema, que o converteu numa patetice para os mais cultos e num objecto de culto para os mais fragilizados. Refiro-me, obviamente, ao fenómeno THE SECRET.
Vi o documentário, que se assemelha muito à velha "banha da cobra", a panaceia que nos revela a chave do nosso destino, que resolverá todos os nossos problemas, o segredo que nos desvendará o nosso poder infinito e a correspondente responsabilidade individual. Ao inverso do que acontece com a maioria das pessoas, confesso que o visionamento não me deixou particularmente bem disposta. Há ali fé a mais e liberdade a menos, para o meu gosto.
Para contrabalançar, aconselho a leitura de obras sobre a importância do acaso, da sorte ou azar, do random factor, que provam que bem mais de metade do nosso destino é fruto dos caprichos da deusa Fortuna/Tiké, em nada dependendo dos factores que alimentam o dito segredo (mencionados em cima). Leiam, por exemplo, Como o acaso comanda as nossas vidas, uma análise feita com seriedade científica, embora com efeitos bastante contraditórios, porque nos desresponsabiliza de tudo, o que é extremamente perigoso e contraproducente (e deprimente). Esta visão também não me convence, nem é do meu agrado. Que felicidade pode ter uma marioneta consciente?
E ficamos com a "pergunta do milhão", a tal a que tantos têm tentado responder: onde estará a chave da nossa existência? No acaso, no destino ou no livre arbítrio? Até à data, a minha experiência, conhecimento e intuição apontam-me para uma resposta muito equinocial: estará provavelmente na conjugação dos vários factores, embora não exactamente em proporções idênticas para cada individuo. Mas, afinal, que sei eu? Se até o sábio Sócrates admitia que só sabia que nada sabia...



Assim, dentro deste âmbito metafísico popular, achei muito mais interessante o documentário WHAT THE BLEEP DO WE KNOW ? (Versão alargada em livro). Desde logo, o título ostenta uma enorme humildade científica, nesta discussão acerca da física quântica, onde se deixam muitas perguntas e poucas respostas. O subtítulo é muito esclarecedor: Descobrindo as infinitas possibilidades de alterar a sua realidade quotidiana. Mesmo que não queira mudar nada na sua vida (ou mesmo que não acredite que possa mudar seja o que for) lembre-se de que o saber não ocupa lugar e de que, pelo menos, aprenderá alguma coisa vendo ou lendo este AFINAL, O QUE SABEMOS NÓS ?