
O Amor é amarantino, canta Enya no seu novo cd. Na capa aparece com um vestido de vermelho amarantino, da cor da flor em forma de espiga, que cresce em liberdade em muitos locais de Portugal. Talvez tenha sido até o amaranto a dar o nome à cidade de Amarante, embora também possa derivar da proximidade da serra do Marão.
O facto interessante é que ambas as hipóteses possuem uma ligação à cultura local: “marão” é o carneiro reprodutor, numa região onde existem muitos rebanhos e localidades com nomes ovinos. Os cultos de fertilidade de antanho foram cristianizados pelo povo nos versos e gestos eróticos com que venera o padroeiro da terra, S. Gonçalo, eremita responsável pela construção da ponte à volta da qual a cidade foi crescendo na Idade Média. Entre outros atributos, diz-se que S. Gonçalo até casa as velhas e “engravida” as estéreis, irónica glória para um recatado dominicano que terá, efectivamente, obrigado muitos pares a casarem-se pela Igreja.
Quanto ao amaranto, a designação significa em grego “o que não se desvanece”, tendo a planta sido usada como símbolo de imortalidade, tanto por pagãos quanto por cristãos. Esta qualidade é física, porque a cor das flores permanece mesmo depois da planta ter secado completamente, mas interrogo-me se não haverá aqui uma ligação simbólica por oposição ao deus carneiro Amon, que tem por atributo estar escondido. O amaranto seria complementar como peça visível nesse ritual de acasalamento, podendo enfeitar as noivas do deus invisível, por exemplo. Verdade é que ainda hoje se fabrica em Amarante um pão de forma fálica (baptizado de pão de S. Gonçalo) que os rapazes oferecem às namoradas, que poderia ter originalmente sementes ou farinha de sementes de amaranto, produto muito em voga na moderna alimentação dietética.
O facto interessante é que ambas as hipóteses possuem uma ligação à cultura local: “marão” é o carneiro reprodutor, numa região onde existem muitos rebanhos e localidades com nomes ovinos. Os cultos de fertilidade de antanho foram cristianizados pelo povo nos versos e gestos eróticos com que venera o padroeiro da terra, S. Gonçalo, eremita responsável pela construção da ponte à volta da qual a cidade foi crescendo na Idade Média. Entre outros atributos, diz-se que S. Gonçalo até casa as velhas e “engravida” as estéreis, irónica glória para um recatado dominicano que terá, efectivamente, obrigado muitos pares a casarem-se pela Igreja.
Quanto ao amaranto, a designação significa em grego “o que não se desvanece”, tendo a planta sido usada como símbolo de imortalidade, tanto por pagãos quanto por cristãos. Esta qualidade é física, porque a cor das flores permanece mesmo depois da planta ter secado completamente, mas interrogo-me se não haverá aqui uma ligação simbólica por oposição ao deus carneiro Amon, que tem por atributo estar escondido. O amaranto seria complementar como peça visível nesse ritual de acasalamento, podendo enfeitar as noivas do deus invisível, por exemplo. Verdade é que ainda hoje se fabrica em Amarante um pão de forma fálica (baptizado de pão de S. Gonçalo) que os rapazes oferecem às namoradas, que poderia ter originalmente sementes ou farinha de sementes de amaranto, produto muito em voga na moderna alimentação dietética.
Rito de passagem e expressão de desejo, trata-se da crença milenar no poder do macho que faz a fêmea feliz, porque só assim o amor é amarantino.
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