Tuesday, November 19, 2019

Morreu mais um combatente

José Mário Branco, poeta e músico, foi um daqueles homens de esquerda que mais animou Portugal no início da década de 1970. Os seus trabalhos conseguiam "enganar" a censura, denunciando o que interessava através de canções aparentemente banais. 
Gosto de muitas dos discos de então, tendo deixado de gostar depois do 25 de Abril, quando este encanto foi substituído por cantigas revolucionárias que nada me dizem, salvo raras excepções. 
Aqui fica uma das minhas favoritas, contra a tirania, venha ela de onde venha.
Requiem!
https://www.youtube.com/watch?v=lwzSiGghFIo
Chamava-se ela Marta
Ele Doutor Dom Gaspar
Ela pobre e gaiata
Ele rico e tutelar
Gaspar tinha por Marta uma paixão sem par
Mas Marta estava farta mais que farta de o aturar
- Casa comigo Marta
Que estou morto por casar
- Casar contigo, não maganão
Não te metas comigo, deixa-me da mão
Casa comigo Marta
Tenho roupa a passajar
Tenho talheres de prata
Que estão todos por lavar
Tenho um faisão no forno e não sei cozinhar
Camisas, camisolas, lenços, fatos por passar
- Casa comigo Marta
Tenho roupa a passajar
- Casar contigo, não maganão
Não te metas comigo deixa-me da mão

Casa comigo Marta
Tenho acções e rendimentos
Tenho uma cama larga
Num dos meus apartamentos
Tenho ouro na Suíça e padrinhos aos centos
Empresto e hipoteco e transacciono investimentos
- Casa comigo Marta
Tenho acções e rendimentos
- Casar contigo, não maganão
Não te metas comigo deixa-me da mão
Casa comigo Marta
Tenho rédeas p'ra mandar
Tenho gente que trata
De me fazer respeitar
Tenho meios de sobra p'ra te nomear
Rainha dos pacóvios de aquém e além mar
- Casas comigo Marta
Que eu obrigo-te a casar
- Casar contigo, não maganão
Só me levas contigo dentro de um caixão.
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Mensagem para o José Mário que deu cabo deste José Mário: 
aproveita enquanto puderes, que desta não te safas.