
A obra é do ano passado, intitula-se ALEXANDER’S CIPHER no original, e foi recentemente publicada em português, sob o título de O CÓDIGO DE ALEXANDRE. Nota-se que o título é um “piscar de olho” ao famoso Código Da Vinci, só que o Santo Graal aqui é o túmulo desaparecido de Alexandre Magno.
O tema é interessantissimo, porque existem diversas teorias e nenhuma certeza quanto ao paradeiro dos restos mortais do “filho de Deus” original, a partir do domínio do outro “filho de Deus” (o conhecido na actualidade, que sempre se intitulou “filho do homem”; mas essa é outra história, de que não vou escrever agora). Foi no século IV que o cristianismo se impôs, o paganismo foi proibido e os templos foram destruídos. É estranho não haver memória da destruição do templo mais importante de então, que era o centro do culto que adorava Alexandre como divindade. Por isso se especulou tanto e se continua a especular. Por isso há matéria para ficção histórica.
Will Adams, romancista estreante, leu, investigou e não escreveu asneiras. Obviamente que há subjectividade interpretativa na análise que faz; porém, em poucos livros de ficção alexandrina encontrei tanta correcção histórica. E eu leio praticamente tudo o que aparece. Só que a hipótese que ele apresenta para a localização do túmulo é bastante inverosímil. Eu até acredito que Alexandre esteja em Siwa, no território egípcio do deserto da Líbia, mas algures no meio da vasta necrópole, por isso ainda não foi encontrado. Sou defensora da teoria de que os sacerdotes fugiram de Alexandria com o corpo e esconderam-no no Oráculo do "Deus Pai Amon", logo que sentiram o perigo que se avizinhava, no início do século IV. Mas não é essa a teoria de Adams, que não vou aqui revelar, para não estragar o prazer da leitura.
No restante, temos a costumeira equipa de arqueólogos e aventureiros e uma máfia (macedónia, no caso) o que também é costume no género “policial arqueológico” desde Indiana Jones. A escrita é o mais acessível que se possa imaginar, o que transforma todos estes ingredientes no tipo de livro que se lê nos transportes ou na praia. É, portanto, provável que venda bem, e até merece, por ser um bom produto comercial. Sem mais pretensões que estas, e se o leitor também não as tiver, recomendo a leitura.
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